OPINIÃO: COLAPSO INSTITUCIONAL DA FFGB

Corrupção, abandono e cumplicidade estatal

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A Federação de Futebol da Guiné-Bissau (FFGB) está num estado de crise profunda e multifacetada que vai muito além da má administração desportiva.
Trata-se de um caso emblemático de deterioração institucional onde a corrupção é gritante e a incompetência floresce sustentada pela falta de escrutínio e pela cumplicidade silenciosa das autoridades nacionais.
A FFGB opera sob um manto de opacidade financeira quase absoluto. As verbas destinadas ao desenvolvimento do futebol provenientes da FIFA e CAF, são geridas de forma nada transparentes alimentando um ciclo vicioso de desconfiança e abuso.
As denuncias de desvios de fundos e a de gestão danosa são constantes. Pois, os milhões, para não dizer bilhões de Francos CFA, supostamente, evaporam sem as devidas prestações de contas. O que significa uma traição direta à comunidade desportiva e aos contribuintes.
Não obstantes as repetidas interpelações por mim feitas, Bonifácio Malam Sanhá e outros membros do Comité Executivo da FFGB, os dirigentes desportivos nos diferentes congressos da FFGB, na impressão sobre a falta de transparência na gestão da FFGB, o presidente, Sr. Carlos Alberto Teixeira (Caíto) remete-se a um silêncio obstinado tratando as exigências de prestação de contas como um tabu.
Outrossim, interpelámo-lo sobre a sua interferência nas equipas forjando a realização de assembleias eletivas sem que para o efeito tivesse qualquer suporte legal.
Propusemos nas várias reuniões do Comité Executivo a necessidade da entrega dos Relatórios das Missões realizadas e de se adotar um Termo de Referência para os membros do Comité Executivo e os restantes funcionários e colaboradores. Contudo, o Sr. Carlos Alberto Teixeira (Caíto) demonstrou total falta de interesse em apresentar e discutir.
Apesar das várias chamadas de atenção sobre a sua má conduta enquanto presidente da instituição (FFGB), afirma perentoriamente ter controlo sobre as instituições judiciais e polícias. Porém, por muito que não tivéssemos acreditado, tudo vai nesse sentido.
O calendário desportivo é caótico, as infraestruturas desportivas estão em ruínas e o futebol opera num estado de quase abandono sem apoio estrutural necessário para formação e competição. Senão, vejamos: a sede de Federação, o Centro de Estágios, o Campo de Futebol de Praia, o próprio Estádio Lino Correia, como é do conhecimento geral, estão em más condições.
Enquanto isso, a estrutura federativa é acusada de se servir da FFGB para os fins pessoais.
A gravidade da situação exponencialmente aumentada pela inação ou cumplicidade das instituições de supervisão do país, o facto do Ministério Público não avançar com as devidas investigações das várias denúncias perante as evidências e limitou-se a arquivar as investigações feitas pela Polícia Judiciária, das quais existem provas dos factos que estamos a referir.
A manobra de distração: sanções descabidas aos dirigentes críticos da FFGB.
Para se proteger do escrutínio e silenciar a onda de pressão pública e interna à liderança da FFGB, têm ocorrido as sanções arbitrárias contra dirigentes desportivos que ousam questionar a sua autoridade ao exigir a sua transparência.
Essa manobra é claramente uma tática de desvio de atenção: em vez de responder às graves acusações de corrupção, a FFGB, através do seu presidente Caíto, prefere eliminar a oposição punindo e banindo aqueles que expõem a verdade.
Ao transformar o debate sobre a integridade financeira numa disputa política interna, a FFGB demonstra que a sua prioridade não é o futebol, mas sim a autopreservação do poder.
Em suma, a crise da Federação não é só desportiva, mas também um reflexo da fragilidade do Estado de Direito, pois a FFGB está refém de ética, que exige uma intervenção imediata dos desportistas, mas sobretudo das autoridades competentes que, devem, urgentemente, quebrar o ciclo de impunidade e exigir a transparência que há muito é negada.
O futuro do futebol da Guiné-Bissau depende da capacidade de desmantelar este sistema de má gestão e corrupção, reinstalar a transparência e responsabilizar quem transformou um sonho nacional num espetáculo de abandono e desorganização.
Fernando Gomes ‘FERGO’| 14.10.2025








